A edição d’
O Primo Basílio agora publicada contempla um dos grandes romances queirosianos e, ao mesmo tempo, um dos seus textos mais problemáticos. Importa ter em conta dois aspetos da composição deste relato: a quantidade de correções a que Eça submeteu a sua prosa, na passagem da primeira para a segunda edição; o curto lapso de tempo em que esse trabalho decorreu e que se iniciou logo que o romance se esgotou, em 1878. Conforme nota Isabel Pires de Lima, na introdução que escreveu, bastaram três meses para que se esgotasse uma primeira tiragem de 3 mil exemplares, número apreciável, para a época.
Numa década verdadeiramente frenética de escrita e de publicação (a década de 1870), a reedição d’O Primo Basílio, com o subtítulo Episódio Doméstico, não correspondeu a uma motivação puramente comercial. Foi em função de uma verdadeira ética da escrita literária – uma ética indissociável de um exigente projeto estético – que Eça reelaborou profundamente aquilo que, no critério de escritor menos autocrítico, estaria acabado, logo na edição inicial.
A Edição Crítica das Obras de Eça de Queirós é um projeto de investigação coordenado por Carlos Reis e integrado no Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de Coimbra. Desde 1992, contou com a colaboração de mais de 20 investigadores, de seis países da Europa, Brasil e Estados Unidos. Com chancela editorial da Imprensa Nacional, este é o vigésimo quarto volume da série.
A apresentação contará com três intervenções (10 minutos cada): de Carlos Reis, coordenador da série, acerca da relevância e do significado patrimonial da Edição Crítica da Obras de Eça de Queirós; de Isabel Pires Lima, editora d’O Primo Basílio, sobre o trabalho levado a cabo nesta edição; de Mônica Figueiredo que falará da atualidade d’Primo Basílio, quase um século e meio depois da primeira edição.